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RELATOS DE EXPERIÊNCIAS

Page history last edited by mlemosdornelles@... 2 years, 9 months ago

     Em minha Familia

 

 Em 1989, nascia em minha família uma sobrinha com deficit de atenção e hiperatividade. Naquela época, e por um determinado tempo, seus pais omitiram esta realidade. Hoje, conhecendo suas necessidades, a família não mais esconde as condições em que se encontra a menina.

Fisicamente não possui nenhum traço de anormalidade, possui 20 anos, mas as suas atitudes apresentam reflexo de uma criança de 12 anos.

Este foi o meu primeiro contato com pessoas portadoras de necessidades especiais.

 

Em Sala de Aula

 

Em sala de aula, minha primeira experiência, foi na Educação de Jovens e Adultos (na época Projeto ler). Era uma turma formada por alunos que por vários anos frequentaram a primeira série e, pela idade avançada, foram transferidos para o noturno. 

Destes alunos, nenhum apresentaram laudo, mas pudia perceber nas suas atitudes e dificuldade de aprendizagem que deveriam possuir algum comprometimento.

A G tinha treze anos, mas seu comportamento era de nove. Conhecia o alfabeto, copiava com perfeição, onde muitas vezes apagava a palavra para arrumar a letra que não estava como gostaria, porém, não lia. Enquanto estudou durante o dia, dizem que apresentava comportamento agressivo com os colegas, que eram menores, perturbando o andamento da aula. Por este motivo, foi convidada a frequantar as aulas no noturno, pois estaria no meio de adultos e, na verdade, isto foi positivo, pois a mesma adquiriu um comportamento de interesse e não mais manifestou repentes de agressão.

Esta aluna criou um vínculo muito forte comigo: não queria que eu faltasse e quando isto acontecia, passava dias sem realizar tarefas e não conversava comigo; necessitava de minha presença para realizar as tarefas e durante as aulas sentava sempre a minha frente, não deixando ninguém sentar em seu lugar.

Foram dois anos de convivência, onde G se alfabetizou. Ainda hoje a encontro nos corredores da escola, pois ela leva sua sobrinha que estuda no mesmo turno em que trabalho.

Pensava que ela nem lembrasse mais de mim, pois fazem uns 15 anos que  deixei de conviver com ela, mas para minha surpresa, em um destes encontros pelos corredores da escola, a cumprimentei  e comentei com sua mãe que talvez ela nem se lembrava de mim. Então sua mãe perguntou a ela: - G, quem é esta professora? Ela respondeu: -É a Professora Beatriz. Sua mãe, continuando: -Quando ela faz aniversário? E a resposta foi correta: - 17 de outubro. E, para concluir, sua mãe perguntou: -Qual a idade dela? E a resposta foi: - 47 anos, exatamente a idade que tinha naquele momento!

Me surpreendi com esta situação e me questiono: Como pode uma pessoa que levou tanto tempo para se alfabetizar, lembrar de detalhes que muitas vezes esquecemos?

 

 

Descobri que a aluna G frequenta o EJA no turno da noite.A professora dela me relatou que a G continua apresentando sua preocupação com a letra e também desenvolvendo os cálculos com mais facilidade do que com a interpretação de textos ou problemas.Pelo relato percebi que a sua capacidade cognitiva estacionou desde o momento em que conseguiu chegar aquele estágio.

 

Comments (2)

Simone Ramminger said

at 11:15 pm on May 4, 2009

Maria Beatriz ao ler o teu relato, observei que procuraste preservar a identidade da aluna. Isso é muito importante. Os pais nunca levaram a menina G. ao médico, para saber exatamente o que ela tem? Que aspectos tu acha que contribuíram para que ela mudasse o comportamento ao passar para a turma da noite? Como era a interação dela com os colegas da noite?
Em que ano foi que tiveste esta primeira experiência? Hoje em dia, tens algum aluno com necessidades especiais na tua sala?
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

maurentezzari@... said

at 9:57 pm on May 19, 2009

Olá Maria Beatriz, é possível perceber no teu relato o quanto o vínculo que fizeste com a aluna foi importante para a mesma, certamente contribuindo muito para sua aprendizagem. Percebe-se também que a aluna não suportava bem as mudanças na rotina, não gostava de alterações, inclusive em sua letra e no ligar onde sentava. Muitas vezes, conseguir lidar com isso no dia a dia é a chave para que esses alunos possam vincular-se à aprendizagem e avançar, do seu jeito. Pelo qie li em teu relato, deverias estar iniciando o trabalho como professora. Parabéns! Fizeste um bom trabalho com ela! Abraços,
Mauren

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